Barriga vazia, comida no lixo

O Brasil produz 25,7% a mais do que necessita para alimentar a sua população.  É o quarto maior produtor mundial de alimentos. Segundo a FAO, de toda essa produção, grande parte é desperdiçada.

De acordo com Instituto Ikatu, aproximadamente 64% do que se planta no Brasil é perdido ao longo da cadeia produtiva:

20% na colheita;
8% no transporte;
15% na indústria de processamento;
20% no processamento culinário e hábitos alimentares.

Por que devemos nos importar com o desperdício de alimentos?

Para começar, porque custa caro. Um  brasileiro médio desperdiça em média 20% dos alimentos que compra semanalmente. Um estudo norte americano que monitorou o desperdício de alimentos nos lares norte-americanos durante três décadas, confirmou que uma família que gasta US$ 175 por semana no supermercado desperdiça mais de US$ 40 em comida toda semana, o correspondente a US$ 2.275 por ano.

Outro aspecto, é o ambiental. O alimento que vai para o lixo gera o gás metano, 20 vezes mais nocivo ao meio ambiente que o gás carbônico. As consequências ambientais do desperdícios são enormes. Grandes quantidade de água, fertilizantes e terras são usadas para produzir alimentos que não serão comidos.

O mundo produz diariamente comida em quantidade suficiente para alimentar toda a população do planeta, no entanto a fome mata uma pessoa a cada 3,5 segundos no mundo por não ter acesso a ela. Segundo o Relatório Mundial Sobre a Fome 2006 da ONU, estima-se que existam hoje 854 milhões de pessoas subnutridas no mundo. O documento revela que 300 milhões de crianças passam fome no mundo e 25 mil pessoas morrem por dia de má nutrição ou doenças associadas ao problema.

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Segundo estudos do WWF, a produção de alimentos aumentou 45% nos últimos 20 anos. Até 2030, a demanda mundial por energia primária e por água crescerá 26% e 53%, respectivamente. Esse aumento na demanda impactará a produção de alimentos, que consome um terço da energia primária e 70% da água disponível no planeta.

Dicas para evitar o desperdício

1. Os talos de couve, agrião, beterraba, brócolis e salsa, entre outros, contém fibras e devem ser aproveitados como recheios de tortas, patês ou em escondidinhos.

2. Não jogue fora os talos do agrião, pois eles contêm muita vitamina C, importante para aumentar a imunidade do organismo e, portanto, prevenir infecções. Refogue com tempero e ovos batidos ou faça sucos.

3. As folhas da cenoura são ricas em vitamina A (importante para saúde dos olhos, pele, cabelos e para o crescimento). Você pode aproveitá-las para fazer bolinhos ou para substituir o uso da salsinha. Elas são extremamente parecidas em aspecto e sabor.

4. A água do cozimento das batatas acaba concentrando todas as vitaminas hidrossolúveis (que se dissolvem em água). Aproveite-a, juntando leite em pó e manteiga para fazer purê, ou para agregar valor nutricional ao arroz, macarrão, capeletes, etc.

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5. A água do cozimento da beterraba pode ser utilizada para o preparo de gelatinas vermelhas. Assim você as torna mais nutritivas.

6. As cascas da batata, mandioquinha, nabo, cenoura ou beterraba, podem ser assadas ou fritas em óleo quente e servidas como aperitivo.

7. A casca da laranja pode ser caramelizada, para ser servida com café, ou utilizada em compotas ou mesmo para biscoitos.

8. A parte branca da melancia pode ser usada para fazer cocada. Já a parte branca do maracujá pode render uma deliciosa compota, que você prepara como a receita do doce de mamão verde.

9. Com as cascas das frutas, como goiaba, abacaxi, etc., você pode preparar sucos batendo-as no liquidificador. Este suco pode ser aproveitado para substituir ingredientes líquidos no preparo de bolos.

10. A casca da banana é uma parte extremamente nutritiva do alimento, muito rica em potássio e fibras. Você pode utilizá-la no preparo de doces, como massa de bolo, brigadeiros, bem como em preparações salgadas, como, por exemplo, bifes e bolinhos.

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