Sete dicas para evitar dor na hora do sexo

Dor na hora do sexo - Fique de Boa
[intense_dropcap ]Q[/intense_dropcap]uando o assunto é sexo, um aspecto é consenso: o ato é sempre prazeroso… Ou será que não? Na verdade, muitas mulheres, principalmente, reclamam de dor na hora de relação. E um ato que era para levá-la até o céu acaba se tornando um verdadeiro inferno!

A questão é mais prevalente do que imaginamos, e acaba sendo um caso médico. “Nós chamamos isso de dispaurenia. Em grande parte das vezes é de causa orgânica, por isso recomendamos o Papanicolau a cada seis meses ou um ano”, explica o ginecologista e terapeuta sexual Amaury Mendes Jr., professor e médico do ambulatório de sexologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). E essas motivações do próprio corpo são diversas: pode variar desde bactérias, até feridas na região da vulva ou mesmo endometriose! Por isso, o primeiro passo é deixar a vergonha de lado e consultar um médico para falar sobre o assunto.

E muitas vezes a questão não precisa nem de medicação! O problema pode estar em diversos outros fatores que vale discutir com seu ginecologista. Enumeramos alguns deles, para você ficar de olho!

Lubrificantes podem ajudar

Muitas mulheres têm problemas para alcançar a lubrificação adequada. Resultado: na hora da penetração, o atrito do pênis com a vagina causa muito desconforto, quando não há dor também! “Pode haver fissura na região da entrada da vagina, uma ferida que se abre em quem tem dificuldade de lubrificação”, relata a ginecologista Flávia Fairbanks, especialista em sexualidade humana e endometriose e membro da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (Sogesp).

As causas dessa dificuldade podem ser variadas. “São todas causas biopsicossociais. Desde cedo ela aprende que ela pode ser mal interpretada se gostar de sexo. Alguns medicamentos ressecam a parede vaginal. E a mulher na menopausa tem pouca lubrificação também”, enumera Amaury Mendes Jr., ginecologista e terapeuta sexual, professor e médico do ambulatório de sexologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Por isso, o sexólogo recomenda o uso de lubrificantes sempre, para garantir o prazer. O ciclo menstrual também pode ajudar ou atrapalhar. “As variações hormonais também podem alterar a lubrificação”, ressalta o ginecologista Augusto Bussab, especialista em fertilização humana.

É importante, porém, que isso seja dialogado, já que muitos homens não aceitam a ideia, por acharem que isso os torna incompetentes. Os tipos de lubrificantes mais indicados são a vaselina ou os feitos com solução aquosa. E muito se engana quem acha que só de usar a camisinha o problema se resolve… O lubrificante que ela traz não é suficiente.

Escolha bem a camisinha

Falando nela, a camisinha é um item importante nessa hora também. Se ela for colocada de uma forma errada, por exemplo, pode causar bastante desconforto na mulher. “Se ela estiver mal ajustada no homem ou meio frouxa, certamente causará um atrito na vagina”, explica a ginecologista Flávia. Além disso, o material com que ela é feita pode atrapalhar. “Algumas mulheres são muitos sensíveis e podem ter alergias. Mas hoje existem modelos de camisinhas que são tão fininhas que nem se nota que a pessoa está usando”, indica Mendes Jr.

Além disso, os tipos com mais acessórios são mais fáceis de causar intolerâncias. “O lubrificante do preservativo ou mesmo as substâncias que são aromatizantes que darão o sabor ou perfume ao preservativo podem causar desconforto”, explica o ginecologista Bussab. Se o caso for uma alergia mesmo ao látex, vale trocar pela feminina.

Pílula em xeque

Alguns anticoncepcionais também podem ser vilões na hora da lubrificação. “Os com baixa dosagem hormonal têm mais componentes de progesterona, por isso causam essa reação, mas é uma resposta individual de cada mulher”, explica a ginecologista Flávia. Além disso, mulheres com ovários policísticos, que produzem mais testosterona, acabam usando pílulas que cortam esse hormônio, e consequentemente afetam a libido e a lubrificação.

O jeito é conversar com seu médico para encontrar uma solução. “Trocar de pílula e aumentar a dosagem nem sempre funciona. Podemos propor que a mulher fique um tempo sem usá-la, lembrando de orientar outro método, e ver se ela nota a diferença”, ressalta a especialista. O anticoncepcional pode ser substituído pelo DIU, por exemplo, que não interfere no eixo hormonal.

Muita calma nessa hora

Várias vezes o motivo da mulher não lubrificar é puramente psicológico! Mulheres que estão algum tempo sem ter relações, por exemplo, podem ficar inseguras e não conseguirem se excitar. Isso afeta não apenas a lubrificação, como também a musculatura da vulva, região chamada de períneo. “No momento da penetração essa tensão vai se confrontar com o pênis ereto, e não havendo relaxamento da parte muscular feminina irá ocasionar dor”, expõe Augusto Bussab.

A calma também vale para o homem, afinal ir direto ao ponto na penetração não é uma boa ideia para as mulheres, é preciso investir nas preliminares. “A resposta sexual feminina começa na intimidade. Sabe-se que a mulher leva em média 15 minutos para o organismo se preparar para a relação sexual, com a lubrificação, relaxamento e tudo mais”, evidencia a ginecologista Flávia. E quando o homem atinge o orgasmo antes da mulher, ela pode acabar retendo sangue no tecido da vulva, o que também causa dores, como alerta Mendes.

Exercite outros músculos

Além da malhação de sempre, exercitar os músculos do períneo pode ajudar a ter mais conforto na hora do sexo. “Exercícios perineais podem ajudar, é com essa base que é feita a técnica de pompoarismo. Normalmente orientamos em consultório como a mulher pode reconhecer esses músculos para aprender a contrai-los e relaxá-los, e são ensinadas sequências para ela fazer durante o dia”, explica a ginecologista Flávia. A vantagem é que dá para fazê-los em qualquer lugar, pois ninguém vai notar o que você está fazendo! Além disso, técnicas de musculação como o exercício quatro apoios, também exercitam essa musculatura.

Acerte a posição

No Kama Sutra, as posições sexuais se relacionam não só ao erotismo, como também ao bem-estar e ao prazer para o casal. E realmente, acertar na postura correta ajuda a ter mais satisfação e menos desconforto na hora H. Normalmente a postura mais desconfortável é de costas. “A posição não chega a ser dolorosa, mas muitas vezes pode ser desconfortável. Mas isso varia para cada mulher e deve ser debatido com o parceiro”, avalia Flávia Fairbanks.

Além disso, a forma como o útero está posicionado no corpo influi nessa questão. “Cada uma tem um tipo de útero, virado para trás, para frente ou para um dos lados, por exemplo. A mulher tem que conhecer isso através da ultrassonografia e identificar as melhores posições de acordo com isso”, explica o ginecologista e sexólogo Mendes Jr.

Outros cuidados

Ter alguns pontos em vista na hora da penetração é importante! Cabe ao casal ficar de olho nesses aspectos. Ao fazer sexo anal, por exemplo, é importante deixá-lo por último, e nunca usar a mesma camisinha ou partir para a penetração vaginal. “Isso pode causar desequilíbrio da flora vaginal, além de corrimento, odor e até doenças graves, como infecções”, alerta Mendes Jr.

Retirar o pênis totalmente e depois recolocá-lo durante o mesmo ato repetindo esse movimento sucessivamente também pode fazer muito mal para a saúde da mulher. “Em uma mulher ovulando, que está com colo do útero aberto, pode funcionar como uma bolha de ar, que sobe pelo canal cervical e pelas trompas, causando uma dor lancinante”, explica o especialista.

Colaborado por Nathalie Ayres | Fique de Boa

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